General Heleno diz que desconhece a ‘Abin paralela’ de Bolsonaro

Arquivado em:
Publicado Quinta, 01 de Fevereiro de 2024 às 17:19, por: CdB

Segundo a PF, nessas ações eram utilizadas técnicas de investigação próprias das polícias judiciárias, sem, contudo, qualquer controle judicial ou do Ministério Público. O ex-ministro não deverá se manifestar até a data do depoimento que ocorrerá na sede Polícia Federal em Brasília.


Por Redação - de Brasília

Ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno pretende dizer à Polícia Federal (PF) em seu depoimento à Polícia Federal (PF), previsto para os próximos dias, que “não tem nenhuma informação sobre a ‘Abin paralela”. A apuração é da rede norte-americana de TV CNN.

general.jpg
O general Augusto Heleno, na reserva, foi um dos militares mais ativos na trama golpista


O veículo cita “pessoas próximas” ao general Heleno para informar que ele argumentará, ainda, que o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), então chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), despachava diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora a Abin fosse subordinada ao GSI. O ex-ministro não deverá se manifestar até a data do depoimento que ocorrerá na sede Polícia Federal em Brasília.

Os mesmos interlocutores do general afirmam também que o ex-ministro pretende reforçar a ligação de Ramagem com Bolsonaro e seus filhos. O hoje deputado era chefe da segurança do então candidato quando Bolsonaro no episódio da suposta facada, ocorrido em Juiz de Fora (MG), em 2018.

Heleno, no entanto, também tinha a confiança do chefe e era bastante leal a ele. No meio militar, a convocação de Heleno para depor na investigação da suposta rede de espionagem não surpreendeu até por uma questão hierárquica, já que a Abin respondia para o GSI. No entanto, causa desconforto, principalmente entre os militares reformados, onde Heleno ainda é muito prestigiado.

 

Gabinete do ódio


As ordens no Alto Comando das Forças, no entanto, é não se envolver com o episódio e seguir no processo de despolitização. No ano passado, em entrevista, o ex-ministro e advogado Gustavo Bebianno revelou que Augusto Heleno teria sido chamado para o esquema de espionagem, mas se mostrou preocupado com a ideia.

Bebianno também disse ter aconselhado, junto ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro, que o presidente não aceitasse a sugestão de Carlos.

— O general Heleno foi chamado, ficou preocupado com aquilo, mas o general Heleno não é de confrontos, e o assunto acabou ali, com o general Santos Cruz e comigo. É muito pior que o gabinete do ódio, aquilo também seria motivo para impeachment — afirmou Bebianno.

 

Nova etapa


Chefe da Abin entre de julho de 2019 a março de 2022, Ramagem é alvo de investigação por suposto monitoramento ilegal de autoridades e adversários de Bolsonaro. Ele foi alvo de busca e apreensão no dia 25 de janeiro.

Na segunda-feira, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente, também foi alvo de busca e apreensão em sua casa em um condomínio na Barra da Tijuca e em seu gabinete. A PF também cumpriu mandado na casa da família Bolsonaro na Vila de Mambucaba em Angra dos Reis (RJ), onde o Carlos estava com o pai e os irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ)

Nesta nova etapa, a PF busca avançar no núcleo político, identificando os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente no âmbito da Abin, por meio de ações clandestinas.

Segundo a PF, nessas ações eram utilizadas técnicas de investigação próprias das polícias judiciárias, sem, contudo, qualquer controle judicial ou do Ministério Público.

 

Jet Ski


Ainda sobre o episódio da batida policial na residência dos Bolsonaros, em Angra dos Reis, a PF apura o sumiço de um jet ski que teria sido usado pela família Bolsonaro para supostamente ter ido pescar na manhã da segunda-feira, quando a PF realizou um mandado de busca e apreensão na casa de veraneio do ex-presidente.

A operação deflagrada pela PF tinha como alvo o vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-chefe do Executivo nacional, suspeito de receber informações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de forma ilegal.

A PF descobriu que uma das três embarcações usadas pela família para a suposta pesca não teria voltado e investiga se o jet ski que não voltou poderia ter sido usado para transportar ou esconder provas ou materiais suspeitos que estivessem sob posse da família.

Na véspera, aos jornalistas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a embarcação era de um amigo e foi devolvida para o dono, sem citar nomes.

— Eu não voltei porque estava em um jet ski que não era meu, tive que devolver e depois fui para um almoço. Depois do almoço, voltei — resumiu o senador.

Edição digital

 

Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.

Concordo