De volta, CPI da Covid aponta suas baterias para o escândalo das vacinas

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Publicado Segunda, 02 de Agosto de 2021 às 11:41, por: CdB

O cronograma para a volta do recesso foi definido pela cúpula da CPI da Covid. O primeiro a ser ouvido será o suposto “reverendo” Gomes de Paula, nesta terça-feira, envolvido no escândalo das vacinas indianas Covaxin.

Por Redação - de Brasília
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid está de volta, nesta segunda-feira, com ânimo redobrado para a retomada das investigações sobre denúncias de possíveis irregularidades e propinas na aquisição de vacinas contra a covid-19. Os senadores retomam os trabalhos nesta semana com previsão dos depoimentos do “reverendo” Amilton Gomes de Paula, do sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, e de Túlio Silveira, representante da empresa.
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O reverendo Amilton, de extrema direita, está envolvido no processo em curso na CPI da Covid
O cronograma para a volta do recesso foi definido pela cúpula da CPI da Covid. O primeiro a ser ouvido será o suposto “reverendo” Gomes de Paula, nesta terça-feira. Ele é apontado por representantes da Davati Medical Supply como um “intermediador” entre o governo federal e empresas que ofertavam vacinas. O “reverendo”, que é presidente de uma ONG, a Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), recebeu em fevereiro autorização do Ministério da Saúde para negociar 400 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. Prisão preventiva Já na quarta-feira, a expectativa da CPI da Covid é ouvir Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, e responsável por negociar as vacinas Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Barath Biotech. A defesa de Maximiano acionou o Supremo Tribunal Federal para pedir que o empresário seja autorizado a faltar ao depoimento na CPI. Segundo os advogados, ele viajou para a Índia. Vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que pedirá a prisão preventiva dele caso não retorne a tempo de falar à Comissão. — Nós recebemos a notícia que o senhor Francisco Maximiano se evadiu para a Índia e pretende não ser ouvido pela CPI na quarta-feira. Eu quero recomendar ao senhor Francisco Maximiano: volte e compareça à CPI de imediato no dia que seu depoimento está marcado. Evadir-se do país quando tem uma investigação em curso é crime. E nós não titubearemos em pedir a sua prisão preventiva — disse Randolfe, a jornalistas. Documentos Na sequência, a CPI pretende ouvir Túlio Silveira, advogado da Precisa. O depoimento está previsto para quinta-feira. O colegiado também votará requerimentos na terça-feira com pedidos de convocações, quebras de sigilos, informações e audiências públicas que devem orientar a atuação do colegiado até o dia 5 de novembro — prazo final prorrogado da comissão de inquérito. Segundo Randolfe, a cúpula da CPI pedirá o bloqueio de bens de duas empresas de Francisco Maximiano: a Precisa Medicamentos e a Global. Mesmo sem depoimentos durante o recesso, a CPI não parou. Senadores aproveitaram o tempo para analisar junto com suas equipes os documentos recebidos pelo colegiado. — Neste tempo, nossas equipes ficaram analisando documentos, cruzando sigilos fiscais, sigilos bancários e recebendo outros documentos que são objeto das nossas investigações — apontou o senador. As informações serão utilizadas durante as oitivas para questionar os depoentes e ajudarão na elaboração do relatório final, previsto para ser entregue no próximo mês.
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