Tanques de Israel avançam no campo de refugiados de Jabaliya

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Publicado Segunda, 13 de Maio de 2024 às 11:06, por: CdB

Segundo a Al Jazeera, as forças israelenses estão disparando contra ambulâncias que tentam chegar aos feridos, enquanto os ataques aéreos israelenses atingem áreas residenciais apinhadas, no interior do campo de refugiados.


Por Redação, com RTP - de Rafah


Os tanques israelenses avançaram, nesta segunda-feira, no campo de refugiados de Jabaliya, no Norte da Faixa de Gaza, mostram os residentes e os meios de comunicação ligados ao Hamas.




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Egito diz que apoiará África do Sul em acusação de genocídio de Israel

Em Rafah, ao Sul do enclave, perto da fronteira com o Egito, as forças israelitas intensificaram os bombardeamentos aéreos e terrestres nas zonas orientais da cidade.


Segundo à agência inglesa de notícias Reuters, os tanques tentavam avançar em direção ao centro do campo. As tropas israelenses teriam forçado centenas de palestinos alojados em abrigos a abandonar o local.


Segundo a Al Jazeera, as forças israelenses estão disparando contra ambulâncias que tentam chegar aos feridos, enquanto os ataques aéreos israelenses atingem áreas residenciais apinhadas, no interior do campo de refugiados. Há o registro de vários mortos e feridos. Jabaliya é o maior dos oito campos de refugiados da Faixa de Gaza, que datam da guerra de 1948, quando Israel foi fundado.


No sábado, o exército israelense emitiu ordens de evacuação para os residentes de Jabaliya, pedindo que abandonassem o local "imediatamente", uma vez que as suas forças tentavam eliminar militantes do Hamas.


– Estavam bombardeando por todo lado, incluindo perto de escolas que acolhiam pessoas que perderam as suas casas – afirmou no domingo à agência inglesa de notícias Reuters um residente em Jabaliya. "A guerra está recomeçando, é assim que parece em Jabaliya".


O braço armado do Hamas afirmou que os seus combatentes estavam envolvidos em tiroteios com as forças israelitas em Rafah e em Jabaliya.


Em Rafah, perto da fronteira com o Egito, Israel intensificou os bombardeios aéreos e terrestres no leste da cidade, matando pessoas em um ataque aéreo a uma residência.


Os moradores afirmaram que os tanques israelenses estão agora estacionados a leste da estrada de Salahuddin, que corta a parte oriental da cidade, com a rodovia cortada por intensos combates. Os residentes acrescentaram que a parte oriental de Rafah continua a ser uma "cidade fantasma".


Em Israel, as Forças de Defesa fizeram soar as sirenes várias vezes em áreas próximas de Gaza, alertando para potenciais lançamentos transfronteiriços de foguetes e morteiros do Hamas.


O exército enviou tanques de volta a Zeitoun, bem como a Al-Sabra, onde os moradores também relataram ataques que destruíram várias habitações.


Na cidade de Rafah, no Sul do país, vivem 1,4 milhão de palestinos, a maioria dos quais deslocados devido aos bombardeios e aos combates.


A operação militar de Israel em Gaza já matou pelo menos 35 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Os bombardeios devastaram o enclave e provocaram uma profunda crise humanitária.



Deslocamento forçado


– As autoridades israelenses continuam a emitir ordens de deslocamento forçado (...). Isto está forçando os residentes de Rafah a fugir para qualquer lado – escreveu o chefe da agência da Nações Unidas para os refugiados palestinianos (Unrwa), Philippe Lazzarini, na rede social X.


– Falar de zonas seguras é um erro – acrescentou. "Falar de zonas seguras é falso e enganador. Nenhum lugar é seguro em Gaza", escreveu.


A guerra foi desencadeada por um ataque liderado pelo Hamas, no Sul de Israel em 7 de outubro, no qual cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e mais de 250  foram feitas reféns, de acordo com os registros israelenses.


Segundo Israel, 620 soldados foram mortos nos combates, mais de metade dos quais durante o ataque inicial do Hamas.



Oposição dos EUA


O secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, avisou no domingo que Israel se arriscava a enfrentar uma insurreição em Gaza sem um plano de pós-guerra para o enclave.


Blinken manifestou ao ministro da Defesa israelense o "firme compromisso" dos EUA com a segurança de Israel, mas expressou oposição à operação militar terrestre em Rafah, na Faixa de Gaza.


Durante uma conversa telefônica entre Blinken e o responsável pela Defesa de Israel, Yoav Gallant, foram discutidas a situação na Faixa de Gaza, "os esforços em curso para garantir a libertação dos reféns" e o objetivo comum de derrotar o movimento islamita palestino Hamas.


Uma vasta operação em Rafah correria o risco de criar "caos", "anarquia" e "enormes danos" para a população civil "sem resolver o problema do Hamas", alertou ainda Antony Blinken.


No entanto, o secretário de Estado norte-americano reafirmou a "oposição dos Estados Unidos a uma grande operação militar terrestre" na zona sul de Rafah.


Blinken sublinhou a necessidade de "proteger os civis e os trabalhadores humanitários" na Faixa de Gaza e instou Gallant a garantir que a assistência humanitária possa chegar ao enclave e ser distribuída enquanto Israel persegue o Hamas.



Egito e África do Sul


O Egito anunciou a sua intenção de apoiar formalmente o caso da África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), que alega genocídio por parte de Israel na guerra em Gaza.


Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Egito declarou no domingo que a sua decisão de apoiar o processo "é tomada à luz do agravamento da gravidade e do alcance dos ataques israelitas contra civis palestinos na Faixa de Gaza e da perpetração contínua de práticas sistemáticas contra o povo palestino”, sublinha a nota.".


“O Egito anuncia a intenção de intervir formalmente para apoiar o processo da África do Sul contra Israel perante o TIJ para investigar as violações de Israel ao abrigo da Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio na Faixa de Gaza.”


Com este anúncio, o Egito marca um ponto de virada nas suas relações com Israel desde o início do conflito em Gaza.


A África do Sul apresentou o seu caso ao TIJ em dezembro, pedindo ao tribunal da ONU que ordenasse a Israel que suspendesse as suas operações militares em Gaza. Israel negou as alegações apresentadas pela África do Sul.


O Hamas manifestou o seu "apreço" ao Egito em um comunicado de domingo à noite, apelando a "todos os países do mundo para que tomem medidas semelhantes de apoio à causa palestina, juntando-se ao processo".




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