Forças Armadas querem distância do núcleo militar golpista

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Publicado Segunda, 25 de Setembro de 2023 às 18:06, por: CdB

De acordo com a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), à Polícia Federal, Bolsonaro recebeu de seu então assessor Filipe Martins uma minuta de decreto golpista e submeteu o documento a comandantes militares em uma reunião, em busca de apoio para impedir a posse do presidente Lula (PT) e se manter no poder.


Por Redação - de Brasília

Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro reformulou sua estratégia de reformulação da imagem das Forças Armadas, diante o desgaste mais relevante desde o século passado, no período que antecedeu a redemocratização do país. Monteiro tem marcadas agendas sucessivas entre o comandante do Exército, general Tomás Paiva, e os líderes do Congresso, na tentativa de afastar, institucionalmente, Exército, Marinha e Aeronáutica dos núcleos de militares golpistas, que teriam participado ativamente da tentativa de tomada violenta do poder, frustrada em 8 de Janeiro.

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Muitos dos militares que apoiavam Bolsonaro (PL) já reveem a posição, após os escândalos das joias


De acordo com a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), à Polícia Federal, Bolsonaro recebeu de seu então assessor Filipe Martins uma minuta de decreto golpista e submeteu o documento a comandantes militares em uma reunião, em busca de apoio para impedir a posse do presidente Lula (PT) e se manter no poder. Na reunião, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, teria colocado suas tropas à disposição de Bolsonaro.

A denúncia quanto à atitude golpista de um comandante militar mobilizou o Congresso e a intenção de Múcio, no momento, tornou-se imperativa no sentido de garantir o compromisso das Forças Armadas com a democracia; além de demonstrar que o processo de despolitização nos quartéis conta com o apoio do general Tomás Paiva.

 

Política


No início deste mês, em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), o ministro José Múcio voltou a negar que os militares brasileiros se conduzam por viés ideológico e participem, ativamente, da política partidária. Acompanhado dos comandantes das Forças Armadas, o gestor respondeu aos senadores questionamentos sobre projetos e perspectivas da pasta, em especial sobre a preocupação com a defesa cibernética, visto que o Brasil foi o segundo país que mais recebeu ataques em 2022.

Questionado pelo presidente da CRE, Renan Calheiros (MDB-AL), o ministro José Múcio disse que “tem sido extremamente louvável a atuação das Forças nos últimos episódios que presenciamos”.

— As Forças Armadas desempenham hoje o papel que os senhores desejam, que a sociedade brasileira deseja. No campo da política nós apresentamos ao governo um projeto onde a questão militar e política seria absolutamente separada, com todo o respeito as duas atividades. (...) Queria enfatizar, em momento nenhuma as Forças Armadas têm participado de política. Temos tido uma atuação conjunta, permanente e dedicada com todos os comandantes, o Estado Maior e os três comandantes, para que nossas atividades sejam voltadas para dentro das Forças — afirmou o ministro.

 

Recursos


O ministro José Múcio pediu, ainda, ajuda aos senadores para o aumento dos investimentos na área de defesa nacional. A demanda principal do Ministério e das Forças Armadas é atrelar o orçamento para a defesa ao produto interno bruto (PIB). Hoje, os recursos da pasta são de 1,1% do PIB, mas não há vinculação.

— Temos muito orgulho do que somos, mas muita preocupação sobre o que precisamos ser. (...) Primeiro, nós queríamos que houvesse uma fixação (do Orçamento), independentemente de governo. Precisamos fazer planos para o futuro, planejamento, sem que haja interrupção — afirmou o ministro, que também apoia o fomento da indústria nacional de defesa.

O governo, segundo o gestor, já sinalizou para que o ministério apresente proposta de crescimento gradativo dos recursos com relação ao PIB, de forma que alcance aos poucos o mínimo de 2%, percentual recomendado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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